Filho do Rock n' Roll


 O pai dele fez parte do movimento hippie e tinha discos de vinil dos Beatles e do Pink Floyd. Suas canções de ninar foram as faixas do Pet Sounds, obra prima dos Beach Boys. Ele já estava marcado, seu anjo da guarda se preparava pra um filho do Rock n’ Roll.
 Aos sete anos de idade pediu uma guitarra pro pai. O velho se encheu de orgulho, mas, deu mesmo foi um violão. O guri já perturbava os vizinhos, ligado na energia elétrica seria apocalíptico. Mas, ele não ficou triste com o presente: em pouco mais de três meses aprendeu a tocar One do Metallica e fazia questão de tocar em todas as festinhas da família.
  Com nove anos ganhou do tio o presente que ia mudar a sua vida: Um contrabaixo elétrico que tinha sido aposentado a uns quinze anos. Todo dia o garoto chegava da escola e dedilhava por horas o instrumento, e a casa tremia ao som dos graves.
  Já adolescente, resolveu deixar os cabelos crescerem e com mais quatro amigos formou a primeira banda, Os Anjos Da Noite. Tocaram em duas festas e depois metade da banda desistiu, afinal, não pegaram tanta mulher quanto eles acharam que iam. Mas, para o baixista, aquela não seria a ultima vez nos palcos: Montou várias bandas, com nomes bem melhores que “Anjos da Noite”, ganhou experiência e resolveu fazer faculdade para viver do que amava, a música.
  Tempos passaram, e os cabelos continuam longos. Olha para o novo baixo, antes do show: Paul McCartney tinha um do mesmo modelo. Suspirou cansado, subiu no palco e ficou longe dos holofotes. Começou a tocar em seu canto enquanto, no centro, o vocalista disputava espaço com os dançarinos ao som dos sucessos dos Cachorros do Forró. Enquanto cantavam “A danada de shortinho vai mexendo a bundinha”, ele se perguntava como teve coragem de aceitar esse emprego, enquanto seu anjo da guarda se afogava na própria desilusão.

Inspirado numa música dos Seminovos, outra do Rock Rocket e na biografia de Vínicius Toso, baixista e amigo meu.

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